o que é a vida eterna, afinal?

Atualizado: 5 de Set de 2018

Quando eu era criança costumava a olhar para Deus e para o trono onde Ele está assentado. Por horas eu permanecia contemplando o céu. Como eu queria ter o poder de voar para me assentar no colo do meu Pai. O único anseio que eu tinha, naquele momento, era de estar lá, com Ele. Lembro-me de uma música que minha mãe costumava a ouvir, muito antiga, mas da qual jamais me esqueci:


“Se eu tivesse asas voaria agora mesmo

sairia deste mundo ao encontro de Deus

Mas sei que em breve essa hora vai chegar (...)

e todo o olho então verá:

Cristo vem, aleluia, que alegria esse dia será

Para sempre viveremos na cidade santa e celestial

Todos juntos cantaremos Santo, Santo é o Senhor

Viveremos e adoraremos na cidade santa e celestial.”


De fato, aquilo era uma revelação celestial na minha vida. Deus estava me mostrando que o meu lugar era ali, com Ele. O meu coração sabia que Ele tinha coisas eternas guardadas para nós e que a vida não era somente o que podemos ver.



Conforme fui crescendo, meu coração começou a deslocar-se para outros lugares e me esqueci de muitas coisas que Jesus havia me mostrado quando pequena. Infelizmente, nós temos o costume de menosprezar e esquecer a nossa criança, abandonando a pureza de acreditar.


A vida passou a ser um fardo para mim, a ansiedade e o medo do desconhecido me assombravam e o pensar sobre a morte me causava uma angústia imensa. Comecei a procurar na ciência respostas que pudessem fazer algum sentido. Durante anos, adentrei-me nos estudos a respeito da mente humana, do universo e de tantas outras questões. Em meio tantos pensamentos, filosofias e escritos, algo poderia me trazer paz?


Existe uma tendência humana em extinguir a existência de Deus e, em seguida, nos colocarmos nesse lugar. Eu, como exemplo disso, estava prestes a achar que era meu próprio deus e que, ao encarar a morte, seria nada menos que matéria decomposta. Além disso, não é uma tarefa fácil acreditar em Deus. “É sempre chocante encontrar

vida quando pensamos estar sós. É neste momento, que muitos recuam e deixam de buscar o cristianismo. Acreditar em um Deus impessoal – tudo bem. Em um Deus subjetivo, fonte de toda beleza, verdade e bondade, que vive na mente das pessoas – melhor ainda. Em alguma energia gerada pela interação entre as pessoas, em algum poder avassalador que podemos deixar fluir – o ideal. Mas sentir o próprio Deus, vivo, puxando do outro lado da corda, aproximando-se em uma velocidade infinita, o caçador, rei, marido, é outra coisa. Chega uma hora que as pessoas que ficam brincando de religião (a famosa busca do homem por Deus), de repente, voltam atrás: Já pensou se nós o encontrássemos mesmo? Não é essa nossa intenção! E, o pior de tudo, já pensou se ele nos achasse?” (LEWIS in Miracles)


O caos se alastrava, pensamentos céticos me consumiam. Perdi a esperança na vida, porque não tinha esperança na morte. Se eu não passava de pó e nada havia depois daqui, que brincadeira de viver era essa? Perda de tempo – pensava. Como ondas inconstantes fui traçando os meus dias. Ora bem – sentia-me livre, dona do meu tempo e de mim mesma. Ora mal – sentia o desamparo e a solidão que é estar aqui, sem nada que me ancorasse, a não serem os meus próprios ideais fictícios e construídos por homens iguais a mim.


Jesus.

Jesus.

Jesus.


Numa noite deserta clamei. Acendeu-me uma luz por dentro. Chamei-o novamente e, pra minha surpresa, Ele estava. Não posso descrever bem o que eu vi ou senti, e também não é meu desejo “enfeitar” isso com a imaginação criativa que tenho, existem coisas que vão além de palavras. Jesus é uma delas (João 20:30). O que posso lhes contar é que foi, com certeza, a coisa mais real que presenciei. Todos os meus muros, toda a ciência estudada, todos os conceitos empíricos, todas as filosofias já formuladas caíram aos Seus pés quando eu O ouvi. Palavra viva que deu vida a mim, a você. O início, o meio e o fim de nós. Palavras não definem a graça de ser ‘El Elyon’ (Ele é sobre todas as coisas, antes e depois de todas elas, inclusive de nós).


Não posso dizer que os dias que vieram foram fáceis. Adentrei em uma depressão profunda e, mesmo com a fome de conhecer quem Jesus era, eu ainda não entendia que existia um propósito pelo qual eu precisava viver/morrer. Foi no decorrer dos anos que Deus foi refinando meu coração para enxergar a beleza de estar aqui, mas ainda mais, a beleza de estar com Ele! A esperança começou a queimar novamente a respeito da vida, e também a respeito da morte. As palavras do apóstolo Paulo me marcaram profundamente: “viver pra mim é Cristo e morrer é lucro!”.


Um pouco antes de Jesus ser crucificado, Pedro pergunta pra Jesus “Senhor, pra onde você vai?” e Jesus responde “para onde eu vou, vocês não podem me seguir agora, mas me seguirão mais tarde” (João 13:36). Depois de sua morte e ressureição, Jesus volta e se encontra novamente com Pedro, e diz: “Siga-me!”. (João 21:19)


Resumidamente, observei duas coisas nessa história: 1) Antes e durante a passagem de Jesus sobre a Terra, o pecado e, consequentemente, a morte ainda tinham poder sobre nós. Mas a ressureição de Jesus – o primogênito entre os mortos - é a nossa ressureição também. Ele abriu o caminho, no qual agora podemos passar. Ele não é só a vida, mas também todo o caminho para a eternidade. Pedro não poderia segui-lo na primeira vez, porque Jesus precisava vencer a morte. Mas quando Ele venceu, Ele volta e diz: Agora, vem e segue-me! A morte não tem mais poder sobre nós e esse é o plano perfeito de Deus. 2) Pedro precisou passar por um processo de lapidação por Deus e, ah, como ele cresceu! Portanto, essa vida, por mais que vã, breve e passageira, tem um sentido. Deus não nos abandonou aqui. Ele planejou coisas incríveis para cada um de nós e deseja nos ensinar sobre Ele e sobre como viver aqui!


O que é a vida eterna, afinal?


“E a vida eterna é esta: que te conheçam a Ti, o Único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” João 17:3


Quando conhecemos a Jesus, portanto, pisamos pela primeira vez na eternidade. Daí, o encaixe perfeito do quebra-cabeça da vida. Viver é cristo, porque quando eu conheço Jesus, eu piso, pela primeira vez, em casa! E morrer é lucro, porque Cristo venceu a morte e nos preparou um lugar com Ele, o Amado de nossas almas!


A grande questão de tudo isso é que, diferentemente da ciência, a peregrinação só é provada à medida em que acreditamos que somos peregrinas. E isso não é um processo instantâneo. É uma jornada, dia após dia, lendo sobre Ele, conversando com Ele, tentando ouvir a voz dEle, tendo comunhão com nossos irmãos. A fé é a chave para todas as coisas em Deus!


Ninguém voltou para nos contar como foi morrer, a morte é o maior passo ao desconhecido que alguém pode dar, mas Cristo é aquele que voltou para nos contar que estava preparando um lugar para nós e voltará novamente para nos levar. O segredo da peregrinação (Hebreus 11) é esse: preparar o seu coração para Ele, dia após dia, porque Ele prometeu voltar para nos buscar e Jesus, sim, Ele é digno de toda a nossa confiança! (Salmos 12:6,7)


Ser peregrina é saber que nós não somos daqui e que estamos voltando para casa, nos braços dEle! Se você perdeu a sua criança interior, assim como eu, é sempre tempo de encontrá-la e voltar a acreditar. Existe vida, existe família e existe propósito esperando por você! É tempo de se levantar, tirar o pó e começar a pensar nas coisas do alto. A vida é pra se viver intencionalmente, não como ondas inconstantes, mas como Filha de Deus!


“Eis que venho sem demora! Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.” (Apocalipse 3:11)


Por Mariana Baroni.


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