A vilã chamada comparação



“A comparação é o ladrão da alegria” - Theodore Roosevelt


Li certa vez a história de uma garota que desejava ser como sua irmã mais velha. Duas meninas da mesma família que dispunham dos mesmos pais e do mesmo amor. De modo semelhante foram criadas, mas personalidades bem diferentes surgiram delas. A primeira era extremamente extrovertida enquanto a outra era bastante introvertida. Uma amava os palcos e microfone tendo total domínio em falar publicamente. Enquanto a segunda, tinha medo de não ser tão boa como sua irmã primogênita.


Quantas de nós já não imaginaram ser outra pessoa? Talvez um pouco mais alta, ou mais baixa, ou mais magra, ou mais cheinha, ou mais desinibida? Ou mais... Sim, é verdade que há muitos “mais” em nossas vidas, principalmente porque olhamos para os lados e nos comparamos com outras mulheres. Olhamos para aquilo que não temos ao invés de contemplarmos que todo o trabalho de Deus é feito de forma formidável. Isso inclui nossa criação e a personalidade que Ele nos deu. Sim, eu sei que temos falhas e precisamos nos voltar para o Senhor, mas você acredita que Ele te criou de forma maravilhosa? Pois é isso que o Salmo 139 afirma.


“Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem”- Salmos 139.13-14


Então, quero te convidar a fazer como o Salmista e reconhecer que as obras de Deus são admiráveis. De forma prática, tire um tempinho para se olhar demoradamente em frente a um espelho. Olhe os detalhes de seu rosto, a textura de sua pele, a cor de seus olhos, o jeito que você coloca os cabelos atrás das orelhas. Pense em suas emoções e como você responde a alguém que precisa de sua ajuda. Pense em como você ama Jesus e como Ele ama você.


Permita que a calmaria de Deus invada a sua alma e cada célula do seu corpo. Respire lentamente deixando o Espírito Santo derramar paz em seu coração, às vezes, tão cansado por não ser “tão perfeitinha” como aquela digital influencer que você tanto admira. Peça a Jesus que Ele te dê uma visão de quem você é n’Ele.


Um dos maiores motivos de nos compararmos é porque estamos perdidas em nós mesmas e em quem somos. Não nos conhecemos suficientemente para entender nossa identidade em Cristo. Assim, nos tornamos rivais umas das outras. Começamos a competir e por fim acabamos nos rotulando mutuamente. Lisa Bevere, em seu livro “Sem Rivais”, nos faz refletir a respeito da vida e o problema da categorização:


“Na vida, não existe categorias organizadas. A vida é, na melhor das hipóteses, uma bagunça. A verdade é que a vida de todo mundo é mais complexa do que o que vemos. E quem em sã consciência ia querer ser relegada a uma caixa com um monte de outras pessoas?”


Acredito que nem eu, nem você desejamos isso, não é mesmo? Sermos colocadas dentro de uma caixinha e taxadas por todos como isto ou aquilo. Lisa ainda afirma que: “quando buscamos ser categorizadas, podemos nos achar contidas”. Ela conta o que um velho sábio disse a seu marido: “Não permita que o rotulem. Se eles puderem fazer isso hoje, então eles usarão o rótulo no futuro para um dia desqualificá-lo”.


Devemos pedir a Deus que arranque de nós essa erva daninha chamada comparação, pois esse mal tem suas raízes no orgulho, e o orgulho precede a ruína. Além disso, 2 Coríntios 10.12 assevera:


“Pois não ousamos igualarmo-nos ou compararmo-nos com alguns que se recomendam a si mesmos. Entretanto, estes, medindo-se e comparando-se entre si, demonstram quão falto de sabedoria são”.


Lembra que comecei este texto contando a história da menina que queria ser como a irmã? Pois bem, a tal garota tem se tornado uma mulher incrivelmente encantadora. Ela achou o seu lugar nos palcos e amigavelmente ao microfone encontrou sua voz. Ela encontrou sua cura quando se perguntou: “Por que quero ser igual a minha irmã, quando posso ser eu mesma?”. Quando ela entendeu quem era e que suas diferenças foram dadas pelo Pai, ela encontrou a liberdade para viver intensamente e sem medo. Ela acreditou que havia mais. E você, também quer se fiar nesta verdade? Seja corajosa!


“A comparação é um refúgio para o covarde que não ousa acreditar que existe algo mais” (Lisa Bevere).


Talvez, sua história esteja carregada de rótulos e comparações. Se mova para além dessas classificações genéricas. Não deixe que as comparações roubem sua alegria. Peça ao Senhor a cura de seu coração. Assim, toda comparação e rivalidade construída, que se torna rebelião contra Deus será revertida em amor, pelo Senhor, por você e pelo próximo. E que sejamos quem Deus nos criou para ser.


Por Nayla Cintra

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