Amar é permitir-se ser quebrado



“Amar com um nível de intensidade e sinceridade é se tornar vulnerável (...) Um coração partido é inevitável, a menos que optemos por nunca amar ninguém. É exatamente isso que muitas pessoas fazem.” – Brené Brown


Quem nunca teve o coração partido após romper com um relacionamento, se frustrar com alguém ou ser machucado por pessoas que ama, que atire a primeira pedra. Como a Brené disse, amar é se tornar vulnerável, mas também é um ato que exige muitíssima coragem. Eu costumo dizer que amar é pros fortes, os covardes recuam, porque o amor lapida e, às vezes, machuca. Mas também é a cura.


Há um tempo comecei a estudar mais sobre o conceito de amor líquido e, para mim, nenhum termo definiria melhor a nossa geração do que este. O amor líquido é aquele amor até ‘segundo aviso’, que muda rapidamente, algo incapaz de se manter da mesma forma por muito tempo e que não consegue se solidificar. É mantido enquanto trouxer satisfações, mas é substituível assim que se depara com as imperfeições ou encontra algo melhor.


Nos tornamos covardes frente ao amor, temos medo de sustentar as nossas escolhas pela sensação de que vamos sofrer, de que vamos parecer vulneráveis ou fracos demais ao expor nossos sentimentos, mas, na verdade, Jesus nos ensinou ao contrário! Sim, Ele é aquele que deixa as noventa e nove e vai atrás de uma. Ele é aquele que procura pela noiva, mesmo após de ela ter sujado as suas vestes. Ele é aquele que sustenta as Suas palavras até o fim e quando diz que ama, de fato, amou e ama com tudo o que tem. Amanda Cook, na música “Peaces”, descreve bem isso ao cantar


Sem reservas, sem restrições (...)

Ele não é tímido, ele não se envergonha

Seu amor tem orgulho de ser visto comigo

Você não dá o seu coração em pedaços

Você não se esconde de nós só para nos provocar.


Por que sentimos medo, então? Eu imagino algumas respostas para isso:


1. Depois de sermos machucados, a nossa atitude começa a ser defensiva. Se uma criança cai e rala os joelhos em um lugar, não vai passar por lá um bom tempo até esquecer. Existe em nós algo chamado ‘autodefesa’ e a acionamos todas as vezes que nos percebemos diante de um risco. Se você amou e já foi muito ferido, bom.. Provavelmente sua autodefesa está em alarde e, como uma boa construtora, se você a permitir, ela irá construir muitos muros em volta do seu coração;


2. Muito do nosso medo a respeito de amar alguém, ou até mesmo ao Senhor, está envolvido com a crucificação do nosso ego e orgulho na cruz. O amor exige sacrifícios e, quando o nosso ego nos cega, é difícil abrir mão do seu próprio orgulho por alguém. São nessas horas que percebemos se, de fato, amamos;


3. Já vi muitas pessoas que evitam a aproximação por conta de uma autoestima negativa. O fato de não se aceitarem ou de não se acharem dignas de amor, impede que outras pessoas se aproximem e as amem. Conheci uma pessoa certa vez que, pelo fato de sua visão de si mesma estar tão distorcida, não conseguia acreditar no amor de outras pessoas e nem em suas boas intenções. Acredito que esse ponto é sobre purificar os nossos olhos, pois como Jesus disse, se teus olhos forem maus (inclusive sobre você mesmo), todo o teu corpo estará em absoluta escuridão.


Esses são alguns pontos dos quais imagino. O medo de amar e permitir-se ser amado estão relacionados a traumas que adquirimos ao longo da vida. Eu tive um coração quebrado. Já me machuquei muito por amar. Já me achei muito fraca por ter demonstrado gestos de amor por alguém que não me correspondeu. Já frustrei e fui frustrada e, de todas essas coisas, aprendi a ter coragem. Aprendi que se há amor, há perseverança e não há espaço para o medo!


Quanto aos amores líquidos, se você não ama alguém, por mais que doa, não permaneça ali. Pessoas não são objetos descartáveis. Mas se você realmente está disposto a amar alguém, invista amor e oração nisso. Seja consistente em suas escolhas. Olhe para Jesus e siga-o de exemplo em tudo o que fizer, inclusive ao amar alguém.


E, por fim, se o seu coração está partido, cheio de autodefesa, orgulho ou medo, permita que Ele pegue os pedaços e construa algo novo na sua história.


“Quando eu pensei que eu me perdi, você sabia onde eu me deixei. Você me reintroduziu no Seu amor. Você pegou todas os meus pedaços e me montou de novo. Você é o defensor do meu coração.” – (Defender, Rita Springer).


Por Mariana Baroni

1,772 visualizações4 comentários

© GAROTAS PEREGRINAS since 2018

Designed by Mariana Baroni

  • Preto Ícone Spotify
  • Black Facebook Icon
  • Black YouTube Icon
  • Black Instagram Icon