Apenas seja

Atualizado: 13 de Ago de 2018



- Minha senhora, a senhora é a única pessoa deste lugar que parece manter a compostura. A senhora se importaria de me dizer o que a deixa tão tranquila?


- Antão – Disse ela. – O Natar tá chegano, e aquele Jesus me faz rir!


Agradeci a resposta, voltei para o outro lado do corredor e me deixei cair no banco. Será que passei a levar a vida muito a sério? Será que na confusão do dia a dia permiti que se dissipasse o meu senso pueril de maravilhamento? (...) Será que me irrito com as pessoas, com a mulher do outro lado do corredor, que não parece perceber como a vida é de fato séria? (Brennan Manning)


Precisamos pedir para o Senhor nos ajudar a recordar a glória do seu sorriso. Jesus falou que Maria escolheu a MELHOR parte (Lucas 10.38-42), e a melhor parte sempre vai ser deitar nos seus pés e contemplá-lo, independente do que temos que fazer. Depois que passei por alguns processos, tenho compreendido que aprender a “ser Maria” é mais uma questão de entendimento. Como é difícil para nossa humanidade entender que somos amadas por aquilo que somos, e não por aquilo que fazemos. Em uma sociedade onde você tem que “fazer” para te amarem. Em uma sociedade, onde os relacionamentos se baseiam mais no fazer para ter, do que no ser para ter. O mundo nos cobra demais e nos cobramos na mesma medida. Se tornou muito difícil avaliarmos o que realmente importa. Mas chegou o tempo de pararmos de perguntar o que Ele quer que a gente faça e começarmos a perguntar em quem Ele quer que a gente se torne (Rogério Ribeiro). Primeiro contemple-o. Seja aperfeiçoada, moldada e forjada. O problema é que, às vezes, comparamos Deus com algum relacionamento terreno, em que o amor se baseia no “fazer” e no “não fazer”. Se fizermos algo errado, o amor pode diminuir; se fizermos algo bom, pode aumentar; se fizermos muito, estamos no topo de sua lista. O amor de Deus é nobre, maluco e constrangedor, e não se baseia no tanto que você faz. Não podemos querer acelerar o processo do “ser”. O “fazer” pode ser feito de qualquer jeito muitas vezes. O nosso tempo é tão bagunçado, complicado e apressado, e achamos que Ele demora demais e que, às vezes, são etapas demais, mas é justamente porque o tempo dEle é preciso e arrumado.


Eu acho sensacional como Deus respeita os nossos processos interiores, como Ele respeita o alcance de cada estação, como respeita as feridas ainda não curadas. Aprenda a amar o tempo dEle. Aprenda a não pular processos. Aprenda a deixar as coisas de menina para trás. Antes você falava, pensava e agia como uma, mas agora as coisas de menina precisam ficar para trás. É hora de ser, e a menina precisa morrer para a mulher nascer. Quando descobrimos, de fato, quem nós somos nele, tudo se torna simples e certas coisas passam a não doer mais. Quando você entende que você é amada por aquilo que é, você consegue sorrir pelo simples fato de tê-lo ali, mesmo não tendo nada. A rotina, as preocupações, o dia-dia, têm nos levado muitas vezes a agir de forma mecânica. O fazer antes do ser, tem nos tornado pessoas orgulhosas e cheias de si.


Um dia li uma frase que dizia: É mais fácil morrer por Jesus, do que viver por Ele. Essa frase me quebrou, porque sempre enchi o peito para dizer que o meu sonho era morrer com alguma arma na minha cabeça, sem o negar. Mas o viver por Ele, é bem mais difícil. Você precisa esquecer de si. No processo de quem Ele quer que você se torne, não tem a ver com quem você quer se tornar.


Acredito que textos são para compartilharmos, também, os nossos corações, e estamos na metade do ano e, não sei para você, mas não tenho como descrever esse ano de outra forma que não seja: Louco e de infinitas surpresas. Comecei o ano fazendo uma lista de sonhos, depois descobri que tinha que fazer uma lista do que me custava. Começou esse ano, eu orando todo dia sobre o que fazer e depois aprendo que eu ainda estou no processo de me tornar. Achei que quando estava sentindo uma “desordem” dentro de mim, era porque realmente estava. Depois aprendi que era só Deus organizando minha bagunça. A cada dia com ele descobrimos algo novo. E você, o quanto já mudou de lá para cá? O quanto Ele já te ensinou? Em quem você tem se tornado?


- Imaginamos conhecer o teu amor, e então descobrimos que nem começamos a conhecê-lo. -


Por Fernanda Pires

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