Descobrindo em si dons do Pai



Estava nas aulas pré-batismo, aos 12 anos, quando ouvi conscientemente sobre dons e talentos pela primeira vez. Parecia um novo mundo extraordinário e inalcançável. Na minha cabeça de criança, ser escolhida por Deus para carregar um dom era algo distante, divino demais para mim, tão pequena e meio atrapalhada. Durante a jornada, crescendo na fé, conheci diversos ministérios e vez ou outra a dúvida vinha: para o que o Senhor está me chamando, afinal? Eu sei que essa questão toma muitas de nós diariamente.


Nos sentimos confusas ou indignas, sem saber para onde ir — se é que devemos ir. O que Ele tem reservado para nós no secreto? Cura de enfermos, a língua dos anjos, o discernimento, profecias e visões, conhecimento e ensino ou o que mais? Além disso, ficar na igreja local, servir em missão, viajar pelas nações, cuidar de crianças, mentorear jovens, entoar louvores, tudo desperta nosso coração o maior amor, porém, onde está aquilo que Ele nos criou para fazer? Somente vivendo o mais íntimo relacionamento com Ele, sem medo, ansiedade ou juízo de valor, descobriremos cada uma dessas coisas.


“Aquele que sonda os corações conhece a intenção do Espírito, porque o Espírito intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus. Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito. Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou; aos que justificou, também glorificou. Que diremos, pois, diante dessas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Romanos 8:27-31).


Nosso propósito é proclamar a vida conforme Jesus a viveu. A forma como faremos isso é um bônus. O que faz o seu coração arder? Quando eu ministrava louvor, sentia o meu espírito cheio, porém, cantar era algo que não me trazia plenitude, apesar de alguns elogios. Eu sabia que poderia viver aquilo, entretanto, esse não era o meu chamado. Por conseguinte, entendi que estudar e comunicar a Palavra e o Amor era o que me movia, seja de forma escrita ou falada.


Ao mesmo tempo, sei que muitas meninas já sabem seus chamados, mas custam a aceitá-los por não se sentirem prontas. Relutam acreditando que há outros mais capacitados para irem a frente do bom combate. Porém, o Senhor levantará sobre estas uma voz de autoridade, pois Ele mesmo, que as criou, será quem as capacita. Que sigamos em fé, impedindo a insegurança ou a confusão de tomarem nossas vozes.

E há mais: vejo meninas desejando os dons alheios, ocupadas demais para verem o que o Senhor colocou dentro de seus corações. Eu me incluo nesse grupo. Quantas vezes desejei liderar, cantar, escrever ou ensinar como outra? Muitas! E na maioria delas, eu sequer estava lembrando tudo que Ele já tinha contado sobre o que sonhava para mim. Quantas vezes vamos anular os sonhos de Deus pedindo pelos nossos, cobiçando o que foi dado a outro? Não há um dom maior que outro, todos são manifestações plenas da verdade de Cristo! “Para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros” (1 Coríntios 12:25).


Viemos ao mundo com propósitos únicos, cada uma de nós. Nas minhas orações, peço que sejamos uma geração de mulheres que compreendem o empoderamento que vem de conhecer os sonhos do Senhor sobre si. E no fim da vida, quando a jornada for encerrada, seremos como Timóteo: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé. Agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amam a sua vinda” (2 Timóteo 4:7,8).


Por Mariah Costa

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