ENTRE A LOUCURA E O AMOR

Você já ouviu falar sobre a Luta Antimanicomial que acontece no dia 18 de Maio? Se não, você precisa ouvir!



“(...) Anny, o que é a loucura pra você?

Lembro-me de que você me custou noites de desconstrução. Eu era convicta. Hoje

não sou mais.

Então diga-me, querida Anny, o que é ser louco pra você?

São os diagnósticos que fizeram a teu respeito enquadrando-te em uma lista ou são

teus delírios já ordinários?

É o tempo neurótico que tem nos consumido ou é teu mundo que não para de

rodar?

São os muros que o sistema construiu a teu respeito ou os teus gritos

incompreensíveis, mas cheios de significados?

São os olhos que não te veem sujeito de possibilidades ou os teus que brilham ao

ver o despercebido?

É a camisa de força que sucumbiu o teu amor ou o teu corpo ás vezes sem sentido?

Conte-me, pois, querida Anny,

Quem é o louco dessa história revés?”



Escrevi isso quando comecei o meu trabalho em uma clínica para loucos. Foi quando conheci Anny, uma garota que sofria com a esquizofrenia. Nunca imaginei que Jesus me levaria a olhar para essas pessoas e a cuidar delas.


Brevemente contarei o que a Luta Antimanicomial do dia 18 de maio significa.


Ela veio como forma de combater os manicômios e hospícios, os quais, de forma precária e violenta, tratavam as pessoas que lá estavam internadas. Isto é, os loucos. Camisas de choque, eletroconvulsão, pacientes dormindo no chão - lugar onde também defecavam -, doenças espalhadas, falta de recursos básicos e outras coisas que ao menos podemos imaginar, era a realidade que pairava sobre eles. Perdemos muitas pessoas durante este tempo, e o Brasil ficou calado.


Muito se fala sobre a 2ª Guerra Mundial e das inúmeras mortes que esta causou, mas

pouco se diz sobre as milhares de pessoas que morreram no Brasil dentro desses manicômios.


Há cerca de 30 anos comemoramos essa luta, a qual é considerada como bandeira de

liberdade para muitos! É através dessa reforma, onde os muros desses lugares caíram e hoje, as pessoas que sofrem de alguma doença mental, podem viver de forma livre. E como participantes da sociedade, profissionais ou não, devemos fazer valer os direitos que eles têm.


Por muitos anos, a igreja, que se dizia cristã, foi a grande responsável por essa estigmatização da loucura. No século passado, os loucos eram queimados por serem considerados ‘endemoniados’ e não havia para eles lugar na sociedade. Foi daí que surgiram os primeiros hospitais de internação, onde o louco era colocado, para nunca

mais ser lembrado.


Por muito tempo essas pessoas foram esquecidas. E ainda hoje, as tratamos com rótulos e indiferença. A história diz que Jesus caminhou entre essas pessoas e, com seu amor, as curou. Quais são as ferramentas de cura que você tem hoje? Use-as. Seja a fé, seja a sua profissão, seja o seu amor.


De louco todo mundo tem um pouco e de amor todo mundo carece. Essas pessoas podem parecer diferentes aos seus olhos, mas independente de seu transtorno psíquico, Jesus nunca tirou os olhos delas. Existe um mundo imenso de possibilidades para elas, que nós, conscientes disso, podemos auxiliá-las a alcançar.


Pense sobre isso e grite o mandamento do amor que nos foi dado!


Que a nossa luta seja em prol de tratamentos mais humanizados e por uma sociedade

mais acolhedora.


As fotos a seguir foram feitas por Scott Typaldos e mostram a realidade vivida nos manicômios:





MEU PEDIDO PRA VOCÊ: Nunca se esqueça de orar por essas pessoas. Seja por cura física, alívio entre as crises ou liberdade espiritual, elas precisam de nós.


Deixe seu comentário sobre como você enxerga tudo isso! Quero saber sobre a sua perspectiva.



Por Mariana Baroni

307 visualizações2 comentários

© GAROTAS PEREGRINAS since 2018

Designed by Mariana Baroni

  • Preto Ícone Spotify
  • Black Facebook Icon
  • Black YouTube Icon
  • Black Instagram Icon