Geração da emergência sem consequência



Como crianças mimadas, batemos o pé: “eu quero, eu posso, eu faço”. Não sei bem onde podemos colocar o dedo e apontar quando isso começou exatamente, mas acredito que não é apenas uma questão da modernidade. O ser humano sempre prezou por liberdade e imediatismo sem se importar com a consequência de suas ações. Foi assim que Eva e Adão começaram, aliás, tentados ao ouvir que o Senhor estava os privando de algo.


Para os descrentes, a entrega é um grande enigma que os mantém afastados. Afinal, por que abrir mão do sexo antes do casamento, das bebidas, do fumo, da fofoca, da ganância e de tantas coisas que nos trazem prazer imediato? Por que ter uma vida chata como se o maior prazer fosse estar em Cristo se, afinal, não podemos vê-lo, e senti-lo exige tanto quebrantamento? Por que largar o mundo por uma vida eterna que só virá após a morte? A vida é tão rápida… Precisamos aproveitar todos os dias como se fossem os últimos, nos divertindo como se o amanhã não trouxesse ressaca, medo, ansiedade, desconfiança, responsabilidades e os demais problemas, como se sozinhos fôssemos dar conta. “Pois tudo o que há no mundo - a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens - não provém do Pai, mas do mundo” 1 João 2:16.  


E dentro de tantas igrejas, encontramos os mornos. Agimos como se Deus fosse um guerreiro em nosso favor, que vive para consertar nossas ações impensadas e arranjar as bênçãos, destruindo quem julgamos nossos inimigos. Usamos o Senhor como um bichinho de pelúcia que afasta o temor e traz paz, mesmo que estejamos traindo quem Ele nos chamou para ser. Nos recusamos a entregar nossa vida a Ele e deixá-lo no controle, mantendo atitudes do mundo que vão contra o que Jesus pregou para, aos domingos, vivermos o cristianismo que inventamos. Acreditamos ser o equilíbrio ideal e o mundo até nos aplaude, porque seguir Jesus não nos tirou a “vivacidade”. Não percebemos que conhecer a Cristo e negá-lo com atitudes diárias pode ser pior que não conhecê-lo.


“Quem vive segundo a carne tem a mente voltada para o que a carne deseja; mas quem vive de acordo com o Espírito tem a mente voltada para o que o Espírito deseja. A mentalidade da carne é morte, mas a mentalidade do Espírito é vida e paz; a mentalidade da carne é inimiga de Deus porque não se submete à Lei de Deus, nem pode fazê-lo. Quem é dominado pela carne não pode agradar a Deus.” Romanos 8:5-8

Ignoramos que Ele nos chamou para levar a cruz e correr o risco de sermos odiados pelos que não creem. Fingimos não saber que o mundo nos escraviza com vícios, prazeres vãos e alegrias fugazes, enquanto o Pai nos convida para a liberdade. Esquecemo-nos de que não é sobre o que “crentes não podem fazer” mas sim sobre o que “não precisamos fazer”, porque nada vai se comparar à alegria de seguir os planos do Senhor. “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão.” Gálatas 5:1.




Talvez o grande desafio do cristão de hoje seja esperar o tempo do Senhor enquanto vive um cristianismo quente, que não esfria, com constância e disposição para deixar os conceitos de liberdade do mundo e seguir a verdade que Jesus trouxe à Terra. Sermos filhos, daqueles que têm temor no coração e levam o respeito acima de tudo, que ouvem o Pai e se alegram nEle. Não do tipo rebelde que aponta que os pais nunca compreendem a juventude e querem aproveitar a vida custe o que custar. Mas também não do tipo que é dominado por um medo assolador e chora em desespero quando é chamado para conversar. Que sejamos filhos por amor e respeito.


Irão nos perguntar diversas vezes os motivos das nossas escolhas. Caso você não saiba, farão piada de nós. O tipo conservador que recusa a cerveja e que admite a virgindade sem vergonha, que larga o mundo para viver um chamado insano, que fala de Jesus não apenas nas redes sociais, mas o deixa resplandecer no próprio rosto. Aquele tipo que continua acreditando mesmo no tempo mau, quando o relacionamento acaba, o dinheiro não aparece, as lideranças humanas se mostram indignas e as violências perduram. Que vivamos para que Ele cresça enquanto a grande hora ainda não é chegada. Preparemos a recepção do noivo. E quando ele chegar… Não haverá emergência, injustiça e nem consequência. Apenas a glória.


Como é feliz aquele

que não segue o conselho dos ímpios,

não imita a conduta dos pecadores,

nem se assenta na roda dos zombadores! Ao contrário, sua satisfação

está na lei do Senhor,

e nessa lei medita dia e noite. É como árvore plantada

à beira de águas correntes:

Dá fruto no tempo certo

e suas folhas não murcham.

Tudo o que ele faz prospera!

Salmos 1:1-3


Por Mariah Costa

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