HIPOTERMIA


“Ninguém desperta numa manhã em sua vida e se vê frio espiritualmente. Há sempre uma progressão – ou melhor, acontece na realidade uma regressão, visto que esfriamento, no caso, é algo negativo.” (Antônio Pereira Jr.)


Nosso corpo é dotado de uma temperatura que podemos chamar de normal, contudo, em alguns momentos, devido a algum fator, essa temperatura pode cair e começamos a sentir frio.


Assim como é nosso corpo natural, também o é nosso corpo espiritual: existe uma temperatura normal para ele. Em salmos 66.10, o salmista escreve que “[...]purificaste-nos como se purifica a prata.” Para purificar a prata, o fundidor a submete a uma temperatura de aproximadamente 900ºC. Se somos comparados a prata, isso significa que fomos feitos para estarmos em altas temperaturas. Nossa temperatura é sempre alta, nosso lugar é no meio do fogo.


Se, portanto, nossa realidade deve ser essa, por que, muitas vezes, nos sentimos frios e nos encontramos como o salmista dizendo “Torna a dar-me a alegria da tua salvação, [...]”? Quando isso acontece, significa que nosso homem espiritual entrou em um estado de hipotermia. Sofremos a diminuição excessiva da temperatura normal do corpo em relação a Deus. Sentimos muito frio.


O frio é que a queda da temperatura natural do corpo, ou seja, é o nosso corpo espiritual nos alertando de que existe algo errado. Essa queda da temperatura corporal se dá pela falta de capacidade do nosso corpo de suprir e manter a energia interna. Isso acontece porque deixamos de nos alimentar em Deus e, se deixamos de nos alimentar de Deus não possuiremos reservas de energia em nosso corpo e, portanto, morreremos.


Quando nos sentimos frios, nosso corpo entra em estado de dormência dos membros, perdemos nossa sensibilidade, perdemos a alegria de estarmos na presença do Pai. Ao sentirmos frio, nosso corpo sinaliza através do tremor uma luta dos vasos sanguíneos para tentar manter a temperatura natural do corpo. Em nosso corpo espiritual, a luta se dá por meio do Espírito Santo, que “nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Rm 8.26).


Levíticos 6.13 diz que “O fogo arderá continuamente sobre o altar; jamais deverá ser apagado.” Essa é uma verdade crucial em nosso relacionamento com Deus. A chama que Ele mesmo pôs em nós não pode jamais se apagar. Mas há uma verdade crucial a respeito disso. Nos versículos anteriores, vemos que era o próprio sacerdote quem, todos os dias, retirava a cinza do altar e colocava nova lenha para manter o fogo acesso. Em 1 Pedro 2.9, recebemos a revelação de que em Cristo fomos feitos sacerdócio real, portanto, é nossa função impedir que o fogo acabe.


Se o próprio Deus acendeu em nós uma chama, por que nos tornamos frios? Ora, a temperatura do nosso corpo cai quando nos expomos a fatores que motivam sua queda. Precisamos entender que não possuímos em nós mesmos uma fonte de calor natural, mas que nossa fonte de calor é JESUS e, por isso, não podemos nos afastar dele. Então, o que tem nos afastado desse lugar? O que tem nos distraído?


No momento em que alguém reconhece que precisa sair desse estado, é necessário que haja a mudança das vestes úmidas por vestes novas: “Tirai-lhe as vestes sujas. A Josué disse: Eis que tenho feito que passe de ti a tua iniquidade e te vestirei de finos trajes.” Zc. 3.4. É impossível manter-se aquecida em roupas molhadas e distante de nossa fonte de calor.


Enfim, em meio a essa nossa vida caótica, podemos ser roubadas de nosso lugar em Deus e distraídas para lugares que nos tornam frias e insensíveis, mas não precisamos ficar nesse lugar. Troque suas vestes. Apanhe lenha e a deposite no altar. Não permita a chama se apagar.


Por Isabel Rodrigues

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