Já era quem fui


“Como poderia ser visto de longe esse relacionamento? Com choros, por receber “nãos” sem justificativas; por querer que eu aprenda a não ser rodeada de pessoas; talvez, como se a Graça tivesse me acorrentado em um carro veloz e me arrastado, sem pausa, por 7 quarteirões.


Mas foi exatamente isso que aconteceu.


Eu não poderia sobreviver a um ataque furioso do amor.


Amor forte como a morte e a paixão mais intensa do que perceber que o meu coração parou. É o seu que pulsa em mim agora. O que fizeram com o romantismo extravagante? Se nem uma brisa fria é capaz de acalmar o fogo que há em mim. Não adianta eu ir dormir sem fazer as pazes com o espírito, a alma boceja e começa a pintar e bordar, mas sinto-me tão morta como os ossos debaixo da terra. Hoje decido viver a mais irônica vitória da minha vida: quero perder a guerra.


É impossível comemorar com sangue escorrendo em minhas mãos quando venço - por ter me esforçado sem você. Parece que te prendo novamente na cruz, assumindo que não deu certo pra mim. A maior mentira, e essa eu sei contar, porque já ouvi infinitas vezes daquele que é mau, com o incessante desejo de me parar.

Mas a verdade é que jamais me recuperei de ter sido arrastada por você. Estou enferma de amor, meu corpo está com febre de ânsia por ver você. Estou marcada para a eternidade. Sua graça me pediu a mão, falou gentilmente e, em seguida, me levou na velocidade da luz. Fui destruída por tamanho amor.


Amor doce que me mata e me faz viver novamente, abundando em bondade e ausência de explicação da constante paz que me acompanha como o vento.


Já era quem fui.

Fui atravessada pela cruz.

Tornei-me a noiva que espera.

Já era.”


Lara Melo.



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