Lidando com a ansiedade: um guia prático


Não lembro um tempo em que eu não tenha sido ansiosa. Eu, inclusive, nasci um mês antes do tempo certo, certamente cansada da rotina de estar dentro daquele espaço apertado e entediante. Na escola, passava mal antes de todos os primeiros dias de aula e tremia horrivelmente nas apresentações. Apesar disso, sempre me saía bem e nunca tive problemas para fazer amigos.


Com a jornada de trabalho e faculdade, mais cobranças e prazos, a ansiedade se tornou mais latente. Desde então, tenho tentado aprender a lidar com esse sentimento e as sensações que vêm com ele. Tremedeira, enjoo, insônia, pesadelos, mudanças de humor, insegurança, mente acelerada e muito mais. Não é fácil, principalmente com a banalização da ansiedade em uma geração na qual todos sofrem com o mesmo mal em intensidades diferentes. Por isso, decidi compartilhar coisas que aprendi a fazer para manter a estabilidade.


1. Respire

Sempre ouvi que nós nascemos respirando da forma correta e, com o tempo, desaprendemos. Passei a querer aprender mais sobre o assunto e um dos livros que mais me ajudou nessa missão foi A Arte de Respirar, do Dr. Danny Penman, instrutor de meditação. Na correria, esquecemos como é importante respirar e que esse ato ajuda no bom funcionamento de todo nosso corpo. Sem falar que, em momentos de tensão, tendemos a prender a respiração e a ficar ofegantes e desequilibrados.

A respiração é utilizada para controlar crises de pânico e até para ajudar mulheres durante o parto. Entender essa importância mudou minha percepção, fazendo com que eu, diversas vezes durante o dia, pare e comece a respirar pelo diafragma, em vez de fazê-lo pelos pulmões. Apenas essa atitude faz com que eu sinta minha mente muito mais arejada.

Nós respiramos cerca de 22 mil vezes por dia mas não fazemos isso com consciência do movimento que do ar entrando e saindo, purificando o corpo e estabilizando nossas emoções. Enquanto isso, gastamos 36 minutos inteiros (ou muito mais) do nosso dia nos preocupando (dados que o Dr. Penman apresenta no livro). Por que não aplicar esse tempo em outra atividade?


2. Descubra como ter foco no presente e não aja por impulso

A verdade é que o mal da depressão é gerado pela não superação do passado, e a ansiedade é o foco no futuro sem capacidade de viver o momento atual com plenitude. Procurei muitos conteúdos sobre mindfullness, uma técnica para ter atenção plena no presente, que exige além de respiração adequada. Fiz até um curso que mudou muito a minha ideia sobre como encarar os momentos de estresse.

A ansiedade sempre gerou em mim um pensamento acelerado que me fazia agir por impulso. Com o mindfullness passei a entender a necessidade de colocar um obstáculo entre os pensamentos repetitivos e destrutivos e as atitudes. Uma boa estratégia é sempre parar, respirar e buscar o pensamento racional de o que pode ser mudado hoje e o que exige um processo. O grande mal da ansiedade é não saber lidar com processos individuais e do outro. Por isso, pense antes de falar e agir no presente.


3. Tenha um caderno de orações

Talvez essa seja a melhor coisa que aprendi sendo uma ansiosa. Ler a palavra e fazer devocionais são coisas essenciais para todo cristão; isso sabemos demais. Porém, para os ansiosos, pode ser difícil manter a constância e organizar os pensamentos principalmente nos momentos de oração. Por isso, comecei a escrever diariamente minhas orações, como um diário.

Pesquisei como diversas pessoas faziam seus diários espirituais, mas nenhum método parecia prático pra mim. Por isso, decidi escrever as orações de forma livre. Geralmente, fazia isso em momentos que costumavam ser estressantes, como o translado de casa para o trabalho, quando a cabeça fervilhava com as obrigações do dia. Isso me obrigava a desacelerar e organizar a mente, tendo uma conversa calma com Deus. Se alguém pode curar (ou amenizar) a ansiedade, é Ele. Precisamos aprender a confiar naquele que provê todas as coisas, mas isso fica para outro tópico.


4. Crie uma rede de apoio

O amor é compreensivo, por isso, cerque-se de pessoas que compreendem seus sentimentos diante dos acontecimentos. Converse com seus amigos, parentes e parceiro sobre a ansiedade, o que a desencadeia, que tipos de coisas podem ajudar a aliviar. Assim, eles podem ser uma rede de apoio com amor e compreensão, relembrando que você deve pensar racionalmente e manter a calma sem trocar os pés pelas mãos.

No relacionamento amoroso, essa parceria é fundamental. Principalmente quando os dois são ansiosos. Um será o apoio do outro, sem incompreensão, acusação ou impaciência.


5. Procure ajuda de um profissional

Muitas vezes, a necessidade de intervenção profissional é subestimada. O preconceito ainda é forte e pessoas são resistentes, preferindo encontrar outras formas de lidar com seus pensamentos e sentimentos. Porém, é inegável a diferença que o acompanhamento de um psicólogo faz.

O dever dele será ouvir você. Se abrir pode ser bem mais fácil com um desconhecido do que com um familiar ou amigo, dependendo da sua dificuldade. Além disso, a experiência de um profissional o torna capacitado para analisar sua situação sem juízo de valor.


6. Confie no Pai

Apesar de ser a mais simples, esse pode ser o passo mais difícil. Nossa natureza humana busca absoluta independência, mas Cristo nos chama para dependermos dele e colocarmos nossas aflições sobre ele, naquele que tudo pode fazer. Com seu sacrifício de amor, Deus nos convida a deixar para trás os jugos pesados que carregamos, os quais não são nossos, mas dele. O futuro pertence a Ele, assim como as nossas vidas. Por que aflição?

Repreender a ansiedade e dobrar os joelhos em oração e devoção, entregando tudo a Deus pode parecer impossível. Livrar-se desses pensamentos pode parecer uma rua sem saída, mas não é. Somos curadas pela palavra viva. Somos curadas pelo Pai. Confia!


Por Mariah Costa

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