Não use o seu chamado como fuga

Atualizado: 21 de Set de 2018


Por muito tempo acreditei que o chamado que Deus confiou a mim só poderia ser realizado fora da minha casa, ou que tinha que fazer coisas grandes para fazer a obra com excelência. Passei três anos liderando, cuidando e exercendo meu chamado, porém totalmente indiferente com os da minha própria casa. Depois que Deus me tirou muitas coisas, inclusive cargos que abri mão, eu pude ver minha família com outros olhos e entendi que o ínicio do meu chamado começava dentro da minha casa.

Cumprir o chamado é sempre desafiador, mas dentro do seu lar exige muito mais de você, afinal, cuidar dos de fora sempre é mais fácil. Ainda usamos muitas máscaras, mas na nossa casa elas sempre caem. Geralmente ficamos fascinados com a figura do missionário que deixa tudo e vai para um lugar distante pregar o evangelho, mas não sentimos a mesma empolgação ao pregar para os que são próximos. Comecei a permitir que Deus me mostrasse meu coração e entendi que eu podia até ter amor pelo meu chamado pastoral, mas minhas motivações estavam erradas.


Em 1 Timóteo 5:8 Paulo fala que “Se alguém não cuida de seus parentes, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e é pior que um descrente.” Claro que cada um tem a sua função no corpo, cada um tem os dons dados por Deus para exercer aquilo que ele vai pedir de acordo com o seu propósito, mas hoje em dia, o chamado tem sido usado como fuga. O fato de eu ser indiferente com os da minha própria casa e “muito boa” no que fazia na igreja, era a prova disso.


Usei o chamado muitas vezes como fuga. Fuga dos problemas de casa. Fuga dos problemas no relacionamento. Fuga para carência. Fuga para achar que estava segura em Deus. Fuga por me achar insuficiente em outras coisas. É bom saber fazer alguma coisa que dá certo, não é? O apóstolo Luiz Hermínio fala que se você precisa fazer algo para Deus, para se sentir seguro nEle, não faça. Precisamos fluir, e não funcionar. É algo natural. O difícil não é saber o que você deve fazer, mas a sua real motivação ao fazer. Hoje em dia, muitas pessoas querem fazer viagens missionárias para “fugir” de casa. Querem trabalhar na igreja ou fora dela, e exercer domínio sobre outros, por carência. Se você é uma pessoa com muitos problemas emocionais, se encontre primeiro em Deus para depois querer exercer o seu chamado. Não minta para você mesma. Pessoas carentes destroem outras pessoas ao exercer a sua missão.


Sim, estava cumprindo o meu chamado, mas era uma pessoa doente emocionalmente e, como consequência, com certeza, “matei” muitas pessoas espiritualmente. Mas para todos a minha volta - inclusive para mim - estava tudo bem, afinal, era só saber fazer funcionar. Porém, hoje, Deus tem me levado a outro entendimento e percepção e, para chegar nesse entendimento, tive que “perder” tudo.


Às vezes precisamos de um tempo de descanso para descobrir que o “ser” é mais importante do que o “fazer”.


Não se trata de perfeição, mas sim, de entendimento. Tenho entendido que nem tudo que está funcionando para o homem, está funcionando para Deus. Se permita ir para o lugar onde Deus mostra o seu coração. Brennan Manning fala em seu livro o Anseio furioso de Deus, que os homens e as mulheres verdadeiramente cheios de luz são aqueles que olharam profundamente na escuridão de sua própria existência imperfeita.


Qual têm sido suas reais motivações? Você quer fazer algo “para Deus” para se sentir segura? Você quer fazer para sentir que está fazendo algo importante? Você quer fazer para ser boa em alguma coisa? Se a resposta for sim, não comece, ou pare o que você está fazendo. Às vezes é difícil abrir mão de algumas coisas, mas por favor, não faça de qualquer jeito. Pessoas que só olham para as suas necessidades não cooperam para o propósito. Meu pastor sempre costuma falar: Só tem missão aquele que não tem mais vida. Só recebe uma missão aquele que perdeu sua vida. O único motivo tem que ser Jesus.


Nos dê força, Jesus, para enxergar e abrir mão de tudo aquilo que nos tira de ti. Mesmo quando parece ser algo bom para o Reino, aos nossos olhos. Que possamos entender que você é a real motivação, e a única.


Por Fernanda Pires

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