O anseio pela eternidade

Atualizado: 5 de Set de 2018

“A pergunta crucial para nossa geração — e para todas as demais — é esta: Se você pudesse ter o paraíso, sem doenças e com todos os amigos que já teve na terra, e todas as comidas das quais gosta, e todas as atividades de lazer que aprecia, e todas as belezas naturais que contemplou, e todos os prazeres físicos que experimentou, e nenhum conflito humano ou desastre natural, se satisfaria com tudo isso, caso Cristo não estivesse nesse paraíso?”

(John Piper)




Um dia, me deparei pensando sobre a eternidade e me questionei se anseio-a de fato. Como é falado em Eclesiastes Deus colocou em nossos corações o anseio pela eternidade; o sentimento de que não pertencemos a este mundo. Então, se nós não ansiamos pela eternidade, há algo de errado em nossos corações. Penso eu, que às vezes somos tão carnais, que preferimos a terra. Somos tão carnais, que preferimos os sentimentos carnais, que transformamos em melodias e melancolias. As nossas compulsões, problemas, o embate entre amor-ódio-amizade-sexo que transformamos tantas vezes em filmes e novelas. Ás vezes não percebemos o que a mídia cria dentro de nós. As propagandas se aproveitam de nossa tendência natural de amar este mundo e, a maioria das campanhas de marketing, atraem de certa forma a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida. É muito fácil esquecer que somos criados para a eternidade. Certas coisas não podemos transformar em melodias. Sim, existe a superação. A força de vontade. A determinação. Mas por favor, não vamos alimentar a nossa alma romantizando a vida aqui na terra.


Nós romantizamos demais os nossos sentimentos carnais. Amamos tanto a vida aqui na terra, que romantizamos o que Jesus não romantizaria.


Ás vezes fixamos tantos nossos olhos nos detalhes dos sentimentos, amores, pessoas... que a nossa maior poesia se torna a terra, e não o céu. Ora, se a nossa esperança em Cristo se restringe apenas a esta vida, somos os mais miseráveis de todos os seres humanos (1 coríntios 15:19). Amamos isso aqui. Quase não ansiamos pelo céu. Muitos de nós apertamos o botão automático e seguimos o fluxo do desenrolar do sistema que sacia as nossas necessidades emocionais momentâneas, criando perspectivas ilusórias e incompletas. Achamos que amamos o mundo só quando vamos para as festas e noitadas da vida. Engano nosso. John Calvin disse: "O coração humano é uma fábrica de ídolos". Nós podemos fazer ídolos de qualquer coisa. Qualquer desejo intenso de nossos corações que não seja colocado por Deus para a Sua glória pode se tornar um ídolo. Amar o mundo é idolatria. Então, embora sejamos instruídos a amar as pessoas do mundo, devemos desconfiar de qualquer coisa que concorra com Deus para as nossas mais altas afeições. Por isso, gememos enquanto vivemos nesta casa de agora, pois gostaríamos de nos mudarmos já para a nossa nova casa no céu (2 coríntios 5:4). Somos peregrinas e forasteiras. Não permita que nada tire do seu coração o anseio de voltar para o seu lar. É algo muito tênue e que quase sempre você não percebe. Lá em Mateus 13:22 Jesus fala: Outras pessoas são parecidas com as sementes que foram semeadas no meio dos espinhos. Elas ouvem a mensagem, mas as preocupações deste mundo e a ilusão das riquezas sufocam a mensagem e essas pessoas não produzem frutos. Esse versículo falou muito ao meu coração sobre o amor a este mundo, a ponto de sufocar a mensagem e nos tornar infrutíferos no Reino. Sim, muitas vezes a ilusão por esse mundo nos impedem de produzir frutos.


Eu sei que muitas vezes esperamos por um texto que irá nos ajudar a agir melhor em alguma área de nossas vidas, ou que vai nos confrontar para progredir. Ou tantas vezes queremos ler algo esperando alguma resposta de Deus em relação aos nossos relacionamentos, ou algo relacionado à nossa vida aqui. Não estamos nenhum pouco errados. Mas precisamos ansiar mais pela eternidade. Precisamos escrever mais sobre a eternidade. Ninguém gosta de não estar em casa. E LÁ É A NOSSA CASA. Todos precisamos ser conduzidos para uma realidade que nos leve para além de nós mesmos, e só em Jesus o anseio pela eternidade é saciado. Deus colocou em nossos coração o desejo pelo infinito, as coisas finitas jamais podem preencher nossos corações.


“Se eu não tenho esse anseio, algo está errado comigo; se as coisas desse mundo me preenchem a ponto de não sobrar nenhum vazio, nenhuma saudade de Deus, nenhuma vontade de ir para ‘casa’, isso significa que algo está errado comigo. Se eu encontro em mim um desejo que nenhuma experiência desse mundo possa satisfazer, a explicação mais provável é que eu fui feito para um outro mundo…Se nenhum dos meus prazeres terrenos é capaz de satisfazê-lo, isso não prova que o universo é uma fraude. Provavelmente os prazeres terrenos não têm o propósito de satisfazê-lo, mas somente de despertá-lo, de sugerir a coisa real. Se for assim, tenho de tomar cuidado para, por um lado, jamais desprezar ou ser ingrato em relação a essas bênçãos terrenas, e, por outro jamais confundi-lo com outra coisa, da qual elas não passam de um tipo de cópia, ou eco, ou miragem.” 

(C. S. Lewis)


Por Fernanda Pires


1,453 visualizações7 comentários

© GAROTAS PEREGRINAS since 2018

Designed by Mariana Baroni

  • Preto Ícone Spotify
  • Black Facebook Icon
  • Black YouTube Icon
  • Black Instagram Icon