O CRISTÃO DA TEOLOGIA DO AMOR: Uma crítica sob um diferente viés




O título desse texto causa estranheza, já que todo cristão deve embasar-se na teologia do amor de Deus. O fato é que, hoje em dia, há diferentes “teologias do amor” e esse texto foca em apenas uma delas: Aquela em que o amor torna-se argumento e pretexto.


É crescente o número de cristãos anunciando essa vertente que, diga-se de passagem, é teológica. Mas há certo desacordo nesse discurso, o qual tem características bem típicas. Uma delas é a intensa crítica à igreja. Seus defensores se agradam em dizer que essa instituição fundada pelo próprio Deus não cumpre seu papel social e, em partes, isso pode até ser verdade, mas não serve de pretexto para envenenar os “não convertidos” a ponto de afastá-los da mesma. Mas isso é só um aspecto que leva até outro ponto.


A principal característica é a conformidade com o pecado. Inconscientemente, tais sujeitos “pagam” o seu pecado com um discurso de amor ao próximo, isto é, fartam-se de caridade para amenizar a gravidade de seus erros, criando a falsa impressão de justificação. Assim, o indivíduo argumenta fazer “aquilo que a igreja não faz” [amando desfavorecidos e quiçá minorias], mas sem julgamentos, afinal, todos erram. Com toda essa ideia de sem julgamentos embasada unicamente por Romanos 2, alguns ignoram completamente o rejeição bíblica ao pecado e “paga” seu erro com o argumento de que ama o próximo através da caridade e suaviza o pecado do próximo com um amor que não corrige, mas mima.


A verdade é que o mandamento “amarás o próximo como a ti mesmo”, vem logo em seguida do “amarás o Senhor teu deus acima de todas as coisas”. Isto é, devemos, acima de tudo, amar ao Senhor. Deus valoriza e aprecia os atos de bondade para com o próximo, mas, ANTES DISSO, Ele quer nossos corações por completo, amando-o e honrando-o.


Pode ser duro ler isso (e há quem pregue contra), mas a caridade humana não paga a maldade da mesma, mas somente o arrependimento genuíno e a mudança de postura, que é fruto de uma total conversão à cruz de Cristo. O pecado não é relativo. Jesus é a verdadeira medida e não devemos enquadrá-lo em nenhuma situação, mas enquadrar cada situação nele.


O excesso amor de Jesus na cruz justifica o pecado humano, o seu excesso de amor pode encorajar e incentivar o pecado do próximo. Não escrevo tais palavras contra boas ações/caridade/amor, mas a favor do equilíbrio entre tais forças que nos foram dadas por Deus como ferramentas poderosíssimas. O amor infinito de Deus não deve ser argumento para que pequemos deliberadamente, mas o amor a Ele deve ser o maior motivo para que busquemos, com todas as nossas forças, não errar e afastar o próximo dos seus próprios erros.


“Mas, quando, da parte de Deus, nosso Salvador, se manifestaram a bondade e o amor pelos homens, não por causa de atos de justiça por nós praticados, mas devido à sua misericórdia, ele os salvou pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós generosamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador. Ele o fez a fim de que, justificados por sua graça, nos tornemos herdeiros, tendo a esperança da vida eterna.” - Tito 3.4-7-

Por Isabela Narente

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