O Poder da Vulnerabilidade


Você também deseja ser aceita? Ser amada pelo que é? Se ‘sim’ for sua resposta, então precisamos continuar esta conversa. Antes de tudo, não dá para falar sobre verdadeira aceitação sem nos lembrarmos de que isso pode nos levar a um lugar de vulnerabilidade. Mas, como declara nosso título, há poder em ser vulnerável.


Então, pensemos um pouco sobre essa palavra: VULNERABILIDADE. O que significa ser vulnerável? Existe poder no lugar de fragilidade e fraqueza voluntária? E como temos aplicado essas verdades em nossas vidas?


Primeiro, é necessário destacar o que não reflete vulnerabilidade: Não é se colocar em um lugar de pura lamentação e dor ou chamar a atenção para nossas feridas e magoas. Não é autocomiseração, isto é: “Sentimento de auto piedade, de pena de sim mesmo, que sente dó de si próprio, coitadismo.” (Dicionário On-line).


O principal propósito de voluntariamente nos tornarmos vulneráveis, não é a humilhação em si, mas a cura que ela pode nos proporcionar. Não somos perfeitas mas sabemos que Deus nos ama tanto que nos deu Jesus. E, além disso, o Senhor não rejeita o humilde, e sim o orgulhoso. Quando parei para pensar sobre nossa pauta, o versículo que me veio à mente é o de Tiago 5.16: “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados.” Ainda, na versão A Mensagem diz assim:


“Vocês estão sofrendo? Orem. Sentem-se bem? Comecem a cantar. Estão doentes? Chamem os líderes da igreja para orar por vocês e ungi-los em nome do Senhor. A oração confiante irá curá-los. E, se tiverem pecado, serão perdoados – curados por dentro e por fora. Façam disso uma prática comum: confessem seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros, para que vocês possam viver juntos, integrados e curados...” (Tiago 5-13-16)


Em Atos, quando a Igreja de Jesus começou, houve um movimento responsivo de amor e cuidado uns pelos outros. A dinâmica era tão poderosa que eles dividiam entre si os seus bens e recursos. Amo quando é dito: “Era um o coração e a alma... Ninguém considerava exclusivamente seu nenhuma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum” (Atos 4.32). Isto é bem forte, não é mesmo? E não te faz lembrar de EMPATIA? Sim, na igreja havia problemas, mentiras, roubos, adultérios, traições... Vai ver isso se ler as cartas de Paulo, por exemplo. Mas também houve amor e dispensar de graça uns pelos outros.


Orai uns pelos outros para serdes curados

A Bíblia já nos deu o parâmetro a seguir: Orai uns pelos outros e sede curados! Nós não experimentaremos cura fora dos relacionamentos. Já imaginou a amizade de Davi e Jonatas? Ela era intensa. Suas almas estavam ligadas em profundo amor, lealdade e pureza. Havia entre eles amor e aceitação ao invés da luta por um trono. Bom, você já deve conhecer a história.


Tudo volta para o relacionamento. Deus nos chama a participarmos da vida uns dos outros e nos ajudarmos mutuamente. E por que temos sido rejeitadas? E por que rejeitamos tanto? Ser vulnerável é abrir a porta da alma para que outros possam entrar e nos ajudar nos processos. É se deixar ser ajudada ao invés de se manter em uma redoma e viver de aparência. Se abrir traz riscos intrínsecos, mas também gera liberdade e plenitude. Você já foi amada apesar dos seus defeitos e por causa deles? É bom, não é?


Todos precisamos de relacionamento. Mesmo Jesus no Getsêmani buscou amigos para vigiar com Ele na hora da maior angústia de sua alma. Ele não vestiu uma capa de super-herói. Ele se vestiu de vulnerabilidade. Digo isso com muito temor e não quero que isso soe como uma heresia, porque sabemos que Jesus é incomparável. Mas Ele se despiu de sua glória, se vestiu da criatura e enfrentou a cruz para que pudéssemos voltar ao relacionamento de liberdade com o Pai, com o Filho e com seu Espírito. Já imaginou maior vulnerabilidade que essa? Estar nu diante dos homens que Ele criou, pendurado no madeiro, humilhado por amor a nós e para que sejamos livres? Isso não é vulnerabilidade? Não é uma entrega total e sem reserva? Jesus arriscou tudo para que pudéssemos nos aproximar d‘Ele.


Fomos criadas para o amor

Todas nós temos esse desejo inato de sermos amadas. Precisamos de conexão e pertencimento, mas o desejo de sermos aceitas pode nos fazer a agir pelo que é socialmente aceitável, isto é, por aquilo que acreditamos desejarem de nós. Isso também pode gerar pressão.


Facilmente, sem pestanejar, logo estamos colocando máscaras que quebram nossa identidade e deixamos de ser autênticas. Deixamos de ser nós mesmas. Como ser humano, temos a tendência de nos proteger do sofrimento e por isso e, até de forma inconsciente, construímos muros, paredes e faces que não são nossas.

Talvez, muitas de nós sofremos rejeições e críticas e temos medo de nos ferir novamente. O problema de construirmos muros, é que eles podem se tornar redomas que nos aprisionam e nos impedem de sermos livres. Podemos pensar: “Se realmente me conhecerem, não serei amada!”. Mas essa é uma mentira criada pelo “ladrão da alegria”. Deixe o medo, se permita ser vista de verdade e serás verdadeiramente amada.


Perê, para encerrar, quero te encorajar o ler o livro de Brenné Brown, “A coragem de ser imperfeito”, e ver uma de suas palestras disponíveis on-line. Deixo você com uma frase dela: “Para que conexão aconteça, temos que nos permitir sermos vistas”.


Por Nayla Cintra

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