Quem disse que vulnerabilidade é fraqueza?



Pode parecer contraditório, mas vulnerabilidade é um dos meus temas favoritos e, ao mesmo tempo, um dos meus maiores calos. Eu fui criada para ser forte e independente. E isso, por muitos anos, pareceu contrário à vulnerabilidade. Ao mesmo tempo, sendo uma romântica incorrigível, amar e ser amada sempre foi uma das minhas maiores necessidades. Até que, como a grande maioria de nós, fui ferida e as barreiras da autodefesa, reforçadas pela minha criação, foram erguidas.


Na onda do amor próprio, contra a dependência emocional, mergulhamos no mar revolto da independência acima de tudo. E assim, não conseguimos nos abrir para amigos, família, companheiro e até para Deus. Afinal, nós não precisamos de ninguém. Esse é um dos maiores erros da nossa geração. Estamos cegas pelos traumas e sentimentos conflitantes. Nós precisamos do Senhor. Somente Nele, com Ele e por Ele seremos plenas.


Só ele cura os de coração quebrantado e cuida das suas feridas. (Salmos 147:3)

Este texto é mais plural que qualquer um que eu já tenha escrito, porque luto contra esses sentimentos todos os dias. Brigo com meu namorado e me afasto de amizades por causa disso. Confesso que diante de um dos maiores choques que vivi na vida amorosa, chorei poucas horas, me recusando a entrar em luto. E que em momentos de grande dor, sou fraca e esqueço de quem sou, negando uma conversa com o Pai, duvido de sua misericórdia. Diante das tristezas, eu me fecho porque insisto em bater no peito e dizer que só eu posso me ajudar, que eu dei conta até hoje sozinha e não será agora que vou parar. Não sou aquela pessoa que liga pedindo ajuda aos prantos e exige muito de mim o envio de uma mensagem desabafando.


Felizmente, o Senhor derrama sobre nós sua graça e entrega pessoas que vêm para ensinar a balancear o que esperamos da vida. Quando compreendemos que precisamos Dele e do outro, não em forma de co-dependência, mas para exortação, compartilhamento e fortificação, somos transformadas. Ser vulnerável exige coragem. Mais ainda do que ser forte e independente. Isso, pois, deixar alguém ver o que nós mesmos desejamos esconder e silenciar, nossas emoções, é uma tarefa dolorosa.


Vivemos com medo de que, conhecendo nossos pontos fracos, vão nos ferir novamente e destruir tudo que lutamos para construir. Porém, honestamente, eu acredito que prefiro correr o risco de sofrer acreditando no bem e no amor, a viver uma frieza solitária. Segura, entretanto, vazia. E, além disso, devemos nos lembrar de que o Senhor não é como o homem e ninguém pode nos amar como Ele. Precisamos confiar que “bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.” (Mateus 5:4).


Recomendo dois conteúdos que me fizeram pensar muito: episódio 3 da série Modern Love (Take Me as I Am, Whoever I Am, com Anne Hathaway; disponível no Amazon Prime), especial The Call to Courage de Brené Brown (disponível na Netflix). Apesar de nenhum dos dois ter viés religioso, eles lançam a verdade sobre nós: o desabafo pode mudar tudo na sua vida.


Ser vulnerável não é ser fraca, querida. Grave essa verdade em todos os lugares. Eu sei que você já foi ferida e humilhada, assim como eu fui. Sei que isso obrigou você a ser (ou fingir ser) durona e insensível. Sei que você já pode ter desacreditado do amor e da felicidade. Mas Deus está vivo e com Ele continuam existindo o renovo e a esperança. Com Ele, somos livres e a felicidade será real. Que possamos ser vulneráveis diante Dele, permitindo que sejamos transformadas e limpas, vivendo com corações mansos e humildes. Que Ele tenha liberdade para entrar e mudar tudo de lugar, principalmente a dor.


Tudo que Deus faz é bom. Tudo o que Deus permite é necessário. (Jó 2:10)


Por Mariah Costa

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