sem medo de estar sozinha

Atualizado: 5 de Set de 2018



Iremos nos aproximar mais de Deus, não ao tentar evitar os sofrimentos inerentes a

todos os amores, mas ao aceita-los e oferece-los a Ele; lançando fora toda armadura

defensiva. Se nossos corações precisam ser quebrados e ele escolher isso como a

maneira pelo qual deverão ser quebrados, que seja assim. (C.S Lewis)



O namoro de 5 anos terminou. “E agora? ” eu pensei. Gritei. Chorei. Esperneei.


Não é fácil passar por rupturas. Nunca estamos preparadas de fato. Vivemos em uma era onde muitas mulheres se tornaram dependentes emocionalmente, inseguras, precisando de constante afirmação de alguém e não conseguindo ser mais felizes sem um companheiro do lado.


Eu passei por isso na pele. Namorei durante 5 anos e, só de pensar no fim, me fazia morrer por dentro. Não me imaginava sem. Até que foi necessário Deus me tirar aquilo que me tirava dele. E aí sim, comecei a conhecer Deus de verdade. E aí sim, começou o meu processo “nascer de novo. ” A dependência emocional tira o lugar que só Deus pode ocupar no seu coração. Você até tenta, eu sei que tenta. Mas nunca conseguimos de fato encarar os processos quando somos dependentes de algo terreno.


O que você teme perder? O que você não se imagina sem?


Talvez a mudança que você tanto espera em você, ou nível que você tanto quer alcançar em Deus, não foi possível pelo medo de estar sozinha. A dependência emocional nos acorrenta e nos impede de encarar os processos. Augusto Cury fala que a base fundamental da liberdade é a capacidade de escolha, e a capacidade de escolha só é plena quando temos liberdade de escolher o que amamos. Todavia, vivemos em uma sociedade em que não conseguimos sequer amar a nós mesmos, principalmente pelo medo da solidão. Mas o medo de estar sozinha, ou de achar que não conseguimos ficar sozinhas, vai muito além de uma tristeza profunda. Esse medo nos acorrenta de tal forma, que nos esquecemos de quem nós somos de fato. Nos transformamos em pessoas que nunca esperaríamos ser.


C.S Lewis diz que é possível que dediquemos a nossos amores humanos a fidelidade devida apenas a Deus. Eles se tornam “deuses”: então se tornam demônios. Irão assim destruir-nos e também destruir a si mesmos. Dependência emocional é algo sério. É tão preocupante como dependência química. Não passa de um dia para o outro. Não é fácil.


E o que fazer?


Primeiramente, reconheça. Peça ajuda. Em tantos relacionamentos amorosos, de amizade, ou familiares existe a dependência, porém não queremos reconhecer. Todos nós somos carentes. Todos nós nascemos com essa característica na alma, logo a dependência emocional é algo extremamente fácil de adquirir, mas você precisa dominá-la. Você precisa exercer a sua autoridade como Filha.


E o que pode temer uma filha nos braços do Pai? O deserto me fez ser dependente dEle. Acredito que o sofrimento nos constrói ou nos destrói. Permita que ele te ensine. Claro, muitas de nós somos dependentes emocionalmente pela ausência de paternidade, ou rejeição pela mãe, ou algo ao longo da nossa caminhada que criou isso em nós. Mas conheço mulheres com famílias “perfeitas” - no sentido de terem tido uma boa paternidade ou maternidade - extremamente dependentes. Chega de colocar a culpa nas pessoas pelo que você é. Chega de colocar culpa no seu passado pelo que você se transformou.


Você é quem decide no que vai transformar as suas dores.


Ei, não estou falando que é fácil. Eu sei como é doloroso. Para algumas é até insuportável. Mas não leve a vida a ferro e fogo. Respeite os seus limites! Sentir-se amada, incluída, admirada, reconhecida, lembrada, é algo que todas nós queremos. E sim, podemos nos sentir assim. Mas o problema é quando queremos nos sentir assim primeiramente com pessoas, e não com Deus. Você nunca será feliz de verdade se o seu coração e a suas expectativas não estiverem nele.


Hoje, eu sou extremamente feliz. Não pela ausência de problemas, traumas ou dores, mas porque eu acordo e o “bom dia” que mais me importa, é o Dele. A opinião que mais tem valor, é a Dele. Hoje eu pergunto: Para onde vamos, meu amado? E não simplesmente vou, e peço para ele abençoar depois. Quem eu sou, Pai? Identidade. Sim, descobrimos quem nós somos de fato, porque no final do dia, somos só as suas meninas, deitadas no seu colo, contando os nossos segredos, medos, e falhas, nos sentindo as mulheres mais seguras do mundo. Não existe amor mais seguro. As máscaras caem. Deixamos de ser escravas dos padrões de beleza do sistema. Sim, o processo é longo e, só quando Ele voltar, que esse processo em todas nós vai terminar. Por isso, é de extrema importância que organizemos nossos amores. Deixa eu te contar um segredo? Encontre Ele, e encontre-se!


Não supra as suas carências, mas deixe que Ele as cure. Permita que o perfeito amor lance fora do medo.


Certamente é verdade que todos os amores naturais podem ser excessivos. Excessivo não significa “insuficientemente cauteloso”. Também não quer dizer “muito grande”. Não é um termo quantitativo. Creio ser impossível amar algum ser humano simplesmente “demais”. Poderíamos amar essa pessoa demais em proporção ao nosso amor por Deus; mas é a pequenez do nosso amor por Deus, e não a grandeza de nosso amor pelo ser humano, que constitui esse excesso. Mas mesmo isso precisa ser trabalhado. Se não for, causaremos problemas para alguns que estão claramente no caminho certo, mas alarmado porque não conseguem sentir por Deus uma emoção tão quente como sente pela pessoa amada neste mundo. Contudo, no que diz respeito ao nosso dever cristão, se amamos “mais” a Deus ou a pessoa amada deste mundo, a questão não se trata da intensidade comparativa de dois sentimentos. A verdadeira pergunta é: a quem (quando a opção chega) você serve, ou escolhe, ou põe em primeiro lugar? A qual exigência a sua vontade, no fim das contas se submete?

(C.S Lewis)



Por Fernanda Pires


1,259 visualizações7 comentários

© GAROTAS PEREGRINAS since 2018

Designed by Mariana Baroni

  • Preto Ícone Spotify
  • Black Facebook Icon
  • Black YouTube Icon
  • Black Instagram Icon