mãos entrelaçadas

Por Andressa Durval


Todos os dias, se faz maior a certeza do quão pó ainda sou.

Eu careço de Sua graça;

E meu peito arde em gratidão.


Meus processos, por vezes lentos, noutros sob pressão;

Jamais se encontraram em constância.

Vivo perdido.

E tu vives por me resgatar.


Todas as vezes que de Ti escondi o rosto, Tu vieste.

Tiraste de mim a vergonha e as mãos sobre meus olhos;

Você me liberta das correntes do meu eu errante;

Sua humanidade me desarma.

Os medos, receios e dúvidas. Tudo desaparece.


Apesar de mim, me amas.

Conheces bem cada detalhe das minhas perfeitas imperfeições.

E me escolheste como Teu.

Pó, mas ainda assim, Teu.


E, ao fitar nossas mãos levemente entrelaçadas,

Reconheço-me nas suas marcas.

Eu sou muitas das feridas que carregas sobre sua pele.


Como faria diferente?

Como poderia eu, viver sem carregar-te em mim?




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