VOCÊ NÃO PRECISA DE MUITO


“Mais um pouco e já não me verão; um pouco mais, e me verão de novo.”

João 16.16 NVI


Sempre li essa passagem a partir de um contexto teológico e até entendo que Jesus se referia à sua volta ao dizer “um pouco mais, e me verão novamente”, mas pude contemplar a graça de Deus lendo essa passagem com outros olhos. Mas antes, quero que você entenda o contexto em que eu estava inserida quando compreendi esse “um pouco mais” de outra forma.


Durante certo período da minha vida, me saturei de atividades. Me vi sobrevivendo em meio a uma rotina cheia de tarefas e vazia de sentido. Me sufoquei de tarefas e, ao final do dia, sempre me frustrava por não conseguir sequer orar devido ao cansaço. Isso é muito comum atualmente. Infelizmente, esse é um problema enfrentado na nossa sociedade pós-moderna, a qual é habituada a viver em um ritmo completamente acelerado, sempre associando o tempo ao dinheiro. Sempre queremos mais – e isso é completamente natural e necessário ao ser humano -, e acabamos ficando descontentes com o que consideramos pouco. A verdade é que Jesus disse “um pouco mais”...


É muito fácil nos pegarmos nos esforçando ao máximo para conquistar algo e isso é incrível, mas quando se trata da nossa vida e intimidade com Deus, as coisas não seguem padrões. O Evangelho nunca foi sobre isso.


O que Jesus diz é “um pouco mais e me verão novamente”, isto é, uma vida de intimidade com Deus não é sempre cheia de grandes movimentos para promove-Lo ou coisa do tipo, mas sempre se trata de entregarmos a Ele um pouco mais de nós, dia após dia e independente da condição em que estivermos. Foi isso o que senti após um dia em que trabalhei, aproximadamente, 12 horas. Deus confortou o meu coração ao passo que lia essa passagem, pois vi que eu queria entregar a Ele mais do que eu podia/tinha/era. Ele entende a nossa debilidade e nunca nos pede algo além de quem nós somos.


Não é sempre sobre o ser/fazer muito, mas sobre fazer fortuna com o pouco, ser fiel no pouco tempo que temos, ser fiel quando nos consideramos pouco. Jesus sempre transformou o pouco em muito. Ele multiplicou os pães e os peixes afim de servir uma multidão, e todos se fartaram a partir daquilo que eles consideravam insuficiente.


O fato é que, muitas vezes, o ser humano se frustra e perde a esperança por querer tudo em excesso e ver que está vivendo uma vida sem resultados por basear-se em experiências alheias que, por muitas vezes, nos parecem tremendamente maiores que as nossas. Mas a questão é que para que contemplemos a Deus, não precisamos de muito, apenas de nós mesmas, com nossas dores e amores.


Por Isabela Narente

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